domingo, 12 de outubro de 2008

A Lenda do Cliente sem Cabeça

De acordo com a teoria evolucionista, a vida surgiu no planeta Terra há milhares de milhões de anos atrás. Os primeiros organismos surgiram da sopa primordial e seguiram seu caminho rumo ao caos através de um jogo de tentativa e erro que a natureza sabe jogar muito bem. Segundo Darwin, a evolução das espécies se deu ao organismo mais adaptado se sobressaindo sobre os menos adaptados e, conseqüentemente, tomando seu lugar na natureza. O problema começou quando um rascunho de macaco resolveu que morar no chão era melhor do que nas árvores, enquanto seus amigos acharam melhor ficar lá em cima. Nossa espécie descende desse infeliz que resolveu morar no chão.

O ser humano se desenvolveu. Seu raciocínio e inteligência colocaram o homem no topo da cadeia alimentar, porém surgiu um problema: com a “lei do mais forte” sendo banida nessa espécie, a evolução não consegue seguir seu curso. Eu pude comprovar com meu próprios olhos esse fato em uma fatídica tarde de outubro, em um local modesto tido como ponto de encontro para bizarrices de todos os tipos. Esse recinto chama-se lan-house.

As atividades haviam se iniciado há pouco mais de meia hora e o movimento estava normal. Vendedores, matadores de aula e mulheres solitárias compartilhavam a mesma sala e todos estavam entretidos com a pequena janela aberta para o mundo da internet.

Algo me chamou a atenção qando dois garotos entraram no recinto e solicitaram uma hora de uso cada um. Eles estavam bem vestidos e limpos, porém falavam como se tivessem acabado de sair de um “antro de meretrizes”. Xingavam um ao outro e usavam gírias que deixariam confusos os mais perversos grupos de rap. Apesar de tudo, consegui interpretar sua solicitação e cedi uma hora de uso para cada um, paga préviamente.

Eu já me preparava psicologicamente para o provável destino dessa aventura. Depois de vários anos e muitos estudos de caso, qualquer pessoa aprende a reconhecer quando uma situação tende à tragédia. Segui os dois para a sala do fundo, mas algo estranho aconteceu: eles ligaram as máquinas, inseriram seus dados de cadastro e utilizaram o sistema sem maiores problemas! Fiquei pasmo! Por alguns segundos observei o pitoresco caso que arrebentava com os ensinamentos tantas vezes comprovados por este que vos escreve! Dirigi-me, ainda atônito, para o balcão a fim de seguir meu trabalho, e feliz por perceber que meus conceitos haviam sido reescritos de uma maneira melhor.

Mas a vida... a vida é uma caixinha de surpresas. Eu nem havia me acomodado quando um grito desesperado veio da sala do fundo: “Moço! Dá uma mão aqui prá nois!”.

Milhões de pensamentos atravessaram a minha mente. O primeiro deles foi de pendurar uma placa dizendo “Proibido chamar o atendente de moço”. Os outros eram referentes a possíveis problemas que eles poderiam ter causado no computador num espaço de tempo tão curto. No entanto, nada poderia me preparar para o que estava por vir.

Estavam sentados lado a lado, utilizando computadores adjacentes. Os dois jogavam o mesmo jogo e, os fones de ouvido, que ficavam pendurados nas divisórias entre os computadores, estavam devidamente acomodados na cabeça de cada um. A conversa assim prosseguiu:

Meliante 1: “Moço, meu jogo tá sem som!”
Meliante 2: “E o meu tá com o som atrasado!”
Corajoso Atendente: “Não...”

Houve um estouro no ar, como se um objeto ultrapassasse a velocidade do som. As janelas se estilhaçaram e os presentes na sala me fitavam com um olhar de desespero de debaixo das mesas. Uma luz vermelha emanava de meus olhos e um forte odor de enxofre cobria o ambiente. Raios e trovões cortavam o céu cinza escuro e os quatro cavaleiros do apocalipse estavam à porta me pedindo para ter calma. Os dois garotos estavam reduzidos a um pó tão fino que se dissolveram no próprio ar. De repente, um clarão.

Me vi em pé, atrás dos dois meliantes. A volta do transe permitiu que percebesse a mescla de dúvida e medo da morte que havia surgido no rosto dos dois. Com um movimento rápido, removi os fones das cabeças deles, controlando-me para não levar suas cabeças junto, e mostrei a eles os fones corretos. O garoto da esquerda havia pego o fone de uma máquina desligada ao seu lado e o garoto da direita havia pego o de seu companheiro.

Ainda abalado e sentindo um leve desequilíbrio, contei cada passo enquanto caminhava para o balcão, buscando de todas as formas me acalmar e me recompor.

Se a lei do mais forte ainda fosse vigente, os mais fracos seriam eliminados. Os menos adaptados desapareceriam da face da Terra, um a um, até que todos os meliantes que trocam os fones de ouvido fossem erradicados. Maldito o dia em que desceram daquela árvore.

4 comentários:

And disse...

Junior! essa foi demais kra!!!

os fones de ouvido! aeheaheauEHAUEAHUEAHUEAH

eu quase já passei por isso, só não passei por perceber que estava com o fone errado! eahauehaeueaueahuAEHUEAHAUEHAUEhu

OMG!! eu ficaria com vontade de rir na hora! AEEUHAUEUEAHEUh

muito boa mesmo!

abraços Juunim! te cuida ae maninho

Elias Corrêa disse...

NUSsssss... essa foi a pior !!!

hSUhUShSUHsuHSUS

Unknown disse...

auehaehuaehuaehueahueaheauhaeuha
''controlando-me para não levar suas cabeças junto, e mostrei a eles os fones corretos.''

eu levava a cabeça junto.

Anônimo disse...

Uhauahauhauahauhauah XDDDD


eu queria ter pego um caso desses... ia apelidar os meliantes na hora uhauah XDD

queria nem saber u.u XDDD


(ainda pego um caso pra contar aqui u.u XDD)

BjusmeligaMOÇO!!