<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6496319931148308156</id><updated>2011-07-25T09:00:10.127-07:00</updated><title type='text'>Lanhouse do medo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Juunin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://www.benzaiten.com.br/imagem/blog/osnijr_foto1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>10</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6496319931148308156.post-2886618443555413527</id><published>2009-05-08T17:15:00.000-07:00</published><updated>2009-05-08T17:17:55.296-07:00</updated><title type='text'>Chuva de Chumbo</title><content type='html'>Eu não sei sobre os anjos, mas é o medo que dá asas aos homens. Diante de uma situação de terror cada pessoa reage de uma maneira: alguns entram em pânico, outros desmaiam e uma pequena parte reage violentamente. Porém, venho falar-lhes de uma forma diferente de reação, que pode ser considerada como uma “não reação”. Venho falar-lhes da indiferença frente ao terror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aconteceu numa fatídica manhã de quarta-feira. O dia estava fresco e tranqüilo, o vento soprava levemente do leste e os animais sorriam uns para os outros. Tudo estava completamente normal. Porém, normal é algo totalmente bizarro nesse lugar... era como se o próprio destino estivesse tentando me avisar do que estava por vir através de situações fora da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento estava razoável, com apenas dois usuários na sala do fundo. Eu, como de costume, me ocupava matando nazistas e salvando o mundo de ameaças letais. Foi então que entrou no recinto uma figura que olhei de canto de olho e reconheci como um dos clientes costumeiros. A sombra entrou, parou ao meu lado e ficou lá durante uns 20 segundos me olhando. Em momento algum olhei diretamente para ele ou lhe dirigi a palavra, pelo menos até ser interrompido do meu massacre diário no computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - “Dá tudo aí!” - disse ele com voz baixa.&lt;br /&gt; - “Dá o que?” - respondi ainda sem olhar prá ele e entrando na brincadeira.&lt;br /&gt; - “Dá tudo aí, porra!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento minha cabeça foi empurrada para o lado bruscamente por um objeto. Calmamente pausei o jogo e me virei para ele como se o empurrão tivesse sido um mero acidente. Vagarosamente, enquanto minha visão entrava em foco, construía a imagem clara de um revolver calibre 22 com 6 balas no tambor e um adolescente com uma camisa amarrada na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, depois de quase 2 minutos do início da ação, eu percebi que estava sendo assaltado. Além disso, percebi que estava sendo assaltado por um pré-adolescente com uma camisa do Corinthians enrolada na cabeça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz repetia com voz baixa: “Dá tudo aí! Dá tudo aí!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ele falava com a voz  rouca eu abria o caixa e pensava em coisas como “Quem é que assalta uma lan-house de manhã quando nem entrou dinheiro?” ou “Será que ele vai querer levar um cheetos?” até que em dado momento lembro-me de dizer “Porque você tá falando tao baixo? Só tem a gente aqui!” e recebi um “Calabocamaluco!” como resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei o dinheiro do caixa, juntei tudo e estava separando as notas por valor (não me pergunte o motivo) quando o meu amigo corinthiano disse “Tá contando a grana? Anda logo com isso aí!”.&lt;br /&gt;Pela primeira vez agi rapidamente: entreguei o dinheiro e agradeci (maldita gentileza).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante alguns segundos refleti sobre o ocorrido. Liguei para casa e pedi ao meu pai (administrador da empresa) mais dinheiro trocado para continuar trabalhando. Respondi a pergunta óbvia “Acabou?“ com “Sim. Tudo.” e expliquei ao telefone rapidamente o ocorrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após liguei para a empresa que fazia a vigilância do recinto, que compareceram rapidamente depois de 35 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu prejuízo não foi grande e além disso aprendi duas grandes lições: cuidado com corinthianos armados e muita calma nessa hora!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6496319931148308156-2886618443555413527?l=lanhousedomedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/feeds/2886618443555413527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6496319931148308156&amp;postID=2886618443555413527&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/2886618443555413527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/2886618443555413527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/2009/05/chuva-de-chumbo.html' title='Chuva de Chumbo'/><author><name>Juunin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://www.benzaiten.com.br/imagem/blog/osnijr_foto1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6496319931148308156.post-8520659362684131639</id><published>2008-11-27T03:19:00.000-08:00</published><updated>2008-11-27T03:23:38.115-08:00</updated><title type='text'>A Inversão Maligna</title><content type='html'>Há muitos e muitos anos atrás essa humilde lanhouse foi agraciada com a presença magnânima de um homem. Ele nos trouxe trabalho, dores de cabeça e momentos de tensão como nenhum outro. Seu jeito desengonçado nos cativou tanto quanto uma topeira atropelada. Ele veio a ser conhecido como Cucumis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história tornou-se lenda. A lenda tornou-se mito. E eu digo que esse mito vive nas profundezas de nosso mais terrível pesadelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa história começa com uma de suas primeiras visitas, quando o mundo ainda era jovem. Era manhã e o recinto estava aberto há pouco menos de 10 minutos. Foi então que sua inconfundível caminhonete azul estacionou tortamente na frente do bicicletário, ocupando todas as vagas dos clientes desprovidos de veículo automotor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sua segunda ou terceira visita ainda e não tínhamos muito contato verbal (algum tempo depois desenvolvemos um tipo de “monólogo” onde ele fala sem parar e eu concordo incessantemente). Ele apenas dirigiu-se ao balcão com seu estilo “vaca louca” de andar e despejou algumas moedas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoi. Doish vírgula chinco, por fahvor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponderei por alguns segundos até entender que ele não estava falando o número de seu cadastro, mas sim a quantia em dinheiro: dois reais e cinquenta centavos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Viuh, depoish dáh uma vigitada neshe shaite. Chama Cucumis.com. Éh um negóshio revolushionário. Milhões de tradutoresh tradugindo documentosh de grasha! É a grande revolushão. Ninguém pode pará-lo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este foi o parágrafo que definiu seu codinome para o resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de alguns “hã” e “hmmm” de minha parte, Lord Cucumis dirigiu-se à estação e posicionou-se. Inseriu sua senha, seu código e logou no sistema sem maiores problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo que ele estava tendo sucesso nessa empreitada, me voltei a resolver os meus próprios problemas e voltei a matar os nazistas que insistiam em tentar invadir a Polônia no de meu computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não percebi o tempo passar, mas diria que foram em torno de 20 a 30 minutos. Lord Cucumis levantou-se agitado, olhou em minha direção e disse com tom de poucos amigos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vou mudar de máquinah. Aquih táh tudo de ponta cabesha.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento vale dizer que já trabalho com manutenção de computadores há uns 6 anos e estou acostumado a resolver os mais diversos problemas que o nosso amigo Windows possa nos proporcionar. Quando ele disse essas palavras de que “tudo estava de ponta cabesha”, foi como um pulso elétrico percorrendo um circuito gigantesco em busca de uma resposta. De todos esses anos de problemas e soluções, nunca havia me deparado com algo desse tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei Lord Cucumis mudar sua posição para a estação ao lado e prontamente fui verificar qual era o problema da estação. Minha mente já viajava por nomes de vírus e problemas de registro que poderiam ter causado tamanha alteração no sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto chegava mais e mais perto, minha vista embaçava. Sentia as pernas ficando fracas e os dedos dormentes. O tempo aparentava ficar cada vez mais e mais lento e o ar estava denso a ponto de eu ter que me atirar para frente a fim de avançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei à estação não pude acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo de minha mente eu podia ouvir o grito de horror que meu subconsciente estava tentando expressar. O que eu estava vendo era inimaginável, impensável, imprevisível! Nem a mente mais doentia ou o profissional mais capacitado do mundo conseguiriam chegar a tal conclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras ecoavam em minha cabeça: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Táh tudo de ponta cabesha...”&lt;br /&gt;“Táh tudo de ponta cabesha...”&lt;br /&gt;“Táh tudo de ponta cabesha...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só tive forças para um único ato: desvirar o mouse, que estava com o fio na direção contrária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei alguns minutos me recompondo, tentando fazer a sala parar de girar e acumulando toda minha força nas pernas a fim conseguir andar novamente. Nem tentei imaginar como ele conseguiu clicar em algum lugar nesse tempo todo ou porque demorou meia hora para mudar de estação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um zunido forte estourava em meus ouvidos e eu via um borrão em volta das pessoas que passavam por mim. Não consigo me lembrar de quando Lord Cucumis foi embora, mas lembro de ouvir suas últimas palavras antes de sair:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tchau. Atéh amanhã.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, troquei o turno da manhã com meu irmão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6496319931148308156-8520659362684131639?l=lanhousedomedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/feeds/8520659362684131639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6496319931148308156&amp;postID=8520659362684131639&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/8520659362684131639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/8520659362684131639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/2008/11/inverso-maligna.html' title='A Inversão Maligna'/><author><name>Juunin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://www.benzaiten.com.br/imagem/blog/osnijr_foto1.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6496319931148308156.post-4422273886125639158</id><published>2008-10-12T08:45:00.000-07:00</published><updated>2008-10-12T11:38:01.308-07:00</updated><title type='text'>A Lenda do Cliente sem Cabeça</title><content type='html'>De acordo com a teoria evolucionista, a vida surgiu no planeta Terra há milhares de milhões de anos atrás. Os primeiros organismos surgiram da sopa primordial e seguiram seu caminho rumo ao caos através de um jogo de tentativa e erro que a natureza sabe jogar muito bem. Segundo Darwin, a evolução das espécies se deu ao organismo mais adaptado se sobressaindo sobre os menos adaptados e, conseqüentemente, tomando seu lugar na natureza. O problema começou quando um rascunho de macaco resolveu que morar no chão era melhor do que nas árvores, enquanto seus amigos acharam melhor ficar lá em cima. Nossa espécie descende desse infeliz que resolveu morar no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser humano se desenvolveu. Seu raciocínio e inteligência colocaram o homem no topo da cadeia alimentar, porém surgiu um problema: com a “lei do mais forte” sendo banida nessa espécie, a evolução não consegue seguir seu curso. Eu pude comprovar com meu próprios olhos esse fato em uma fatídica tarde de outubro, em um local modesto tido como ponto de encontro para bizarrices de todos os tipos. Esse recinto chama-se lan-house.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As atividades haviam se iniciado há pouco mais de meia hora e o movimento estava normal. Vendedores, matadores de aula e mulheres solitárias compartilhavam a mesma sala e todos estavam entretidos com a pequena janela aberta para o mundo da internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo me chamou a atenção qando dois garotos entraram no recinto e solicitaram uma hora de uso cada um. Eles estavam bem vestidos e limpos, porém falavam como se tivessem acabado de sair de um “antro de meretrizes”. Xingavam um ao outro e usavam gírias que deixariam confusos os mais perversos grupos de rap. Apesar de tudo, consegui interpretar sua solicitação e cedi uma hora de uso para cada um, paga préviamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já me preparava psicologicamente para o provável destino dessa aventura. Depois de vários anos e muitos estudos de caso, qualquer pessoa aprende a reconhecer quando uma situação tende à tragédia. Segui os dois para a sala do fundo, mas algo estranho aconteceu: eles ligaram as máquinas, inseriram seus dados de cadastro e utilizaram o sistema sem maiores problemas! Fiquei pasmo! Por alguns segundos observei o pitoresco caso que arrebentava com os ensinamentos tantas vezes comprovados por este que vos escreve! Dirigi-me, ainda atônito, para o balcão a fim de seguir meu trabalho, e feliz por perceber que meus conceitos haviam sido reescritos de uma maneira melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a vida... a vida é uma caixinha de surpresas. Eu nem havia me acomodado quando um grito desesperado veio da sala do fundo: “Moço! Dá uma mão aqui prá nois!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milhões de pensamentos atravessaram a minha mente. O primeiro deles foi de pendurar uma placa dizendo “Proibido chamar o atendente de moço”. Os outros eram referentes a possíveis problemas que eles poderiam ter causado no computador num espaço de tempo tão curto. No entanto, nada poderia me preparar para o que estava por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam sentados lado a lado, utilizando computadores adjacentes. Os dois jogavam o mesmo jogo e, os fones de ouvido, que ficavam pendurados nas divisórias entre os computadores, estavam devidamente acomodados na cabeça de cada um. A conversa assim prosseguiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meliante 1: “Moço, meu jogo tá sem som!”&lt;br /&gt;Meliante 2: “E o meu tá com o som atrasado!”&lt;br /&gt;Corajoso Atendente: “Não...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um estouro no ar, como se um objeto ultrapassasse a velocidade do som. As janelas se estilhaçaram e os presentes na sala me fitavam com um olhar de desespero de debaixo das mesas. Uma luz vermelha emanava de meus olhos e um forte odor de enxofre cobria o ambiente. Raios e trovões cortavam o céu cinza escuro e os quatro cavaleiros do apocalipse estavam à porta me pedindo para ter calma. Os dois garotos estavam reduzidos a um pó tão fino que se dissolveram no próprio ar. De repente, um clarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me vi em pé, atrás dos dois meliantes. A volta do transe permitiu que percebesse a mescla de dúvida e medo da morte que havia surgido no rosto dos dois. Com um movimento rápido, removi os fones das cabeças deles, controlando-me para não levar suas cabeças junto, e mostrei a eles os fones corretos. O garoto da esquerda havia pego o fone de uma máquina desligada ao seu lado e o garoto da direita havia pego o de seu companheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda abalado e sentindo um leve desequilíbrio, contei cada passo enquanto caminhava para o balcão, buscando de todas as formas me acalmar e me recompor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a lei do mais forte ainda fosse vigente, os mais fracos seriam eliminados. Os menos adaptados desapareceriam da face da Terra, um a um, até que todos os meliantes que trocam os fones de ouvido fossem erradicados. Maldito o dia em que desceram daquela árvore.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6496319931148308156-4422273886125639158?l=lanhousedomedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/feeds/4422273886125639158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6496319931148308156&amp;postID=4422273886125639158&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/4422273886125639158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/4422273886125639158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/2008/10/lenda-do-cliente-sem-cabea.html' title='A Lenda do Cliente sem Cabeça'/><author><name>Juunin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://www.benzaiten.com.br/imagem/blog/osnijr_foto1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6496319931148308156.post-2554096492744623304</id><published>2008-09-22T06:47:00.000-07:00</published><updated>2008-10-12T08:48:32.405-07:00</updated><title type='text'>Versão em áudio EXCLUSIVA</title><content type='html'>Numa tarde fria e chuvosa, em algum lugar distante, havia um homem. Um homem solitário, desocupado e, principalmente, criativo. Sua mente vaga pela imensidão do ócio, vasculhando as profundezas da mente em busca de algo para ajudar a passar o tempo e eis que surge a idéia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma equação que soma um computador e um editor de som, multiplica por um fã insano e divide tudo pelo sofrimento de um funcionário de lanhouse expresso em forma de contos, o resultado é uma "rádionovela" do lanhouse do medo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero, agradecer, ao leitor, Baltar, por perder, seu tempo, e, sua sanidade, gravando e editando, o capítulo 6 - O Perfume da Destrui,ção. O resultado ficou muito bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temam! O mundo do terror está se expandindo para outras mídias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixe o arquivo clicando &lt;a href="http://www.megaupload.com/?d=E9T0Q5SQ"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, se você não quer ocupar espaço no seu computador, ouça a versão integral aqui mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="353" height="132"&gt;&lt;embed src="http://www.goear.com/files/external.swf?file=4c5159f" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" quality="high" width="353" height="132"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6496319931148308156-2554096492744623304?l=lanhousedomedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/feeds/2554096492744623304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6496319931148308156&amp;postID=2554096492744623304&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/2554096492744623304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/2554096492744623304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/2008/09/verso-em-udio-exclusiva.html' title='Versão em áudio EXCLUSIVA'/><author><name>Juunin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://www.benzaiten.com.br/imagem/blog/osnijr_foto1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6496319931148308156.post-6040430322060224602</id><published>2008-09-17T16:11:00.000-07:00</published><updated>2008-09-17T16:16:45.313-07:00</updated><title type='text'>O Perfume da Destruição</title><content type='html'>O dia estava estranhamente alegre. Os pássaros cantavam, o sol brilhava e os clientes se comportavam. Apenas notícias boas apareciam na televisão e o mundo estava em paz. Tudo estava indo muito bem... bem até demais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pessoa normal não saberia interpretar os sinais, mas um indivíduo sagaz como eu entende que a tranqüilidade vem antes do apocalipse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O raios de sol entravam no recinto pela janela da frente e junto com eles veio um feliz passarinho que se chocou contra o vidro. O som da pancada seca fez com que eu me distraísse com o agonizante passarinho e não percebesse a tragédia iminente. O céu mudou de cor repentinamente, como se uma explosão atômica tivesse nos trazido um inverno nuclear. O clima ameno transformara-se em um frio aterrador. Todos os sinais de mau agouro estavam batendo em minha porta ao mesmo tempo. Foi então que ela entrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio não me preocupei com a figura que havia entrado e se aconchegado no sofá, revirando páginas e mais páginas de textos rabiscados. Ainda estava chocado com o destino cruel do pobre passarinho. Mais tarde eu invejaria a sorte deste abençoado animal que deixara a terra dos vivos antes dos acontecimentos que relatarei a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma mulher franzina, beirando seus 50 anos, magra como se nunca tivesse sido apresentada á uma boa refeição. Seus óculos eram enormes e com grossos aros em volta da lente. Seu cabelo dava a impressão de ter sido colocado ali há pouco tempo e ainda estar com a tinta fresca. Mas sua roupa... sua roupa era um espetáculo à parte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela usava uma calça jeans azul com estampas coloridas ao lado, uma blusa de uma cor que fiz questão de esquecer e uma jaqueta feita de um material que imitava uma imitação de couro. Usava tênis cinzas e várias pulseiras. Eu tinha a clara impressão de que a pobre mulher pegara roupas de sua filha mais nova (pois a mais velha deveria estar num asilo) e ajustado para servir naquele formato corporal extremamente plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de tudo isso, ela fumava como uma condenada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você deve estar imaginando que eu a vi fumar em algum lugar, ou que os seus dentes amarelos delataram o mau hábito, ou que ela guardava um maço de cigarros em algum lugar visível, mas eu vos digo que o sinal era muito mais sutil do que qualquer um desses. Era o simples fato dela emanar um fabuloso perfume de nicotina que me fez chegar a essa conclusão. Era como se ela carregasse os bolsos cheios de tabaco ou cultivasse a própria planta nas axilas. O cheiro era muito forte e por pouco não me fez perder os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher levantou-se, vagarosamente, e dirigiu-se ao balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Moço! - Já havia começado a conversa de forma errada...&lt;br /&gt;- Moço! Você faz serviço de digitação?&lt;br /&gt;- Claro! Pode deixar ele aqui que deixo pronto prá amanhã! - O forte cheiro me impedia de pensar claramente.&lt;br /&gt;- Não, mas eu tenho que ficar com você senão você não vai entender minhas anotações!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me olhou de um jeito estranho, como se estivesse ouvindo os rangidos das engrenagens dentro da minha cabeça procurando uma saída para não ter que aturar ela ao meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem, mas eu tenho compromisso daqui 10 minutos. Tem que ser rápido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram 56 minutos de terror. Um dragão teria inveja da “baforada de fogo” que eu fui obrigado a suportar. Cada frase dita levava um pouco do meu olfato embora. Meus olhos estavam vermelhos e lacrimejantes. Minha pele estava ressecada e percebi que meu cabelo começara a cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto dela tratava de um programa de rádio sobre homenagens póstumas, pessoas mortas recebendo mensagens de conforto e admiração. Uma enxurrada de vírgulas criava resultava em pérolas como “um abraço muito, especial, para nossos ami, gos, portugueses” (não foi um erro de digitação) e a justificativa era sempre a mesma: “É que é texto oral!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algum tempo ela foi embora, mas deixou comigo um pedacinho de si que ficou por muito tempo latejando em minhas narinas. Ela retornou por várias vezes ainda, sendo atendida por pessoas diferentes, mas todos nós ficávamos com uma única palavra na mente depois de sua partida: Arma Biológica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6496319931148308156-6040430322060224602?l=lanhousedomedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/feeds/6040430322060224602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6496319931148308156&amp;postID=6040430322060224602&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/6040430322060224602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/6040430322060224602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/2008/09/o-perfume-da-destruio.html' title='O Perfume da Destruição'/><author><name>Juunin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://www.benzaiten.com.br/imagem/blog/osnijr_foto1.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6496319931148308156.post-2508212063277797101</id><published>2008-08-18T05:48:00.000-07:00</published><updated>2008-08-18T06:01:20.004-07:00</updated><title type='text'>O Bom Princípio do Apocalipse</title><content type='html'>“Moço! Moço!” Gritava incessantemente o garoto da última cadeira da sala dos fundos. “Moço, põe o jogo de 'arminha'?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá vai o “moço”, com toda a paciência do mundo, tentar adivinhar em qual dos 50 jogos de arminha o garoto pretendia gastar os seus créditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Qual jogo você quer jogar?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aquele que só aparece a mão do cara!” - Ótimo. Reduzimos as opções para 47...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas qual? Tem um monte de jogos assim!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aquele que tem uma casa e os 'hominho' atira!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ah tá. Sei qual é.” - Essa foi minha última frase antes de abrir um jogo de carro aleatório e ir correndo para o balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia estava cheio. Desde cedo havia muito movimento. Era o primeiro dia do ano e é costume em nossa cidade dar o chamado “bom princípio”, onde crianças enlouquecidas têm autorização dos pais para mendigar e correm de casa em casa pedindo moedas, trocados ou doces (ou os três). Existem lendas de crianças que já juntaram cerca de cem reais só em moedas num único dia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobres dos pais festeiros que beberam demais na comemoração da noite anterior e só queriam dormir um pouco mais. E pobres crianças também que encontram esses pais mal-humorados que dizem palavras feias pelo interfone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos atrás o destino certo desse dinheiro arrecadado seria a sorveteria ou a doceria, mas hoje em dia as crianças tem uma opção menos calórica: as lan-houses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sacos e sacos de moedas são depositados em todas as lan-houses da cidade, e isso é bom! É bom para os donos, que tem um ótimo “bom princípio”, é bom para as crianças, que tem uma diversão saudável e também bom para os pais que têm um pouco de paz e sossego na cura da ressaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na correria tresloucada das crianças pelo recinto, ficava impossível controlar quem poderia ficar na sala do fundo, destinada apenas aos usuários, e quem ia esperar na sala da frente. Tudo estava cheio. Muitos gritos de “Seu noob!” e “Moço! Moço!” ecoavam manhã a dentro. Até que ele entrou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi apenas um borrão cortando a sala, um arrastar de cadeiras e um tilintar de moedas, nessa mesma ordem. Um menino havia entrado, jogado um punhado de moedas e sentado em uma cadeira na sala do fundo antes que as moedas batessem na madeira do balcão. Eu me dirigi calmamente até a sala do fundo e, como um lobo que segue um rastro de sangue, segui o perfume natural peculiar do menino até a última cadeira. Estava tão calmo que se Buda tivesse me visto, teria comido as próprias mãos de tanta inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Menino, foi você que deixou as moedas no balcão e entrou correndo, não foi?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi moço! Põe o joguinho prá mim aqui!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vamos lá na frente que tenho que fazer o seu cadastro!” - continuei essa frase na minha cabeça: “seu moleque fedido do #$%@*&amp;amp;!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era de se esperar, o menino não sabia o próprio endereço ou a data de aniversário, que devia ser nove meses depois de algum carnaval entre 96 e 98. Depois de muita paciência e muitas perguntas repetidas, consegui completar pelo menos o nome do meu pequeno algoz e liberei o cadastro dele (naquela época a lei de lan-houses era bem mais branda).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contei R$4,43 centavos no amontoado de moedas de 10 e 5 centavos depositados em cima do balcão, que foram imediatamente creditados na novíssima conta do meu novíssimo cliente (literalmente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento o recinto estava em pé de guerra. Dezenas de crianças sem pai nem mãe gritavam e xingavam loucamente uns aos outros. Nesse ambiente até mesmo Jó teria vendido sua alma em troca de uma metralhadora, mas eu estava firme. Uma artéria havia surgido na minha testa ameaçando saltar para fora e espancar cada individuo naquela sala a qualquer momento. Foi então que ouve-se o jargão, uma frase tão antiga quanto o tempo porém tão atual, o mantra das crianças acéfalas: “Moço! Deu pau!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não haviam nem 10 segundos que o menino louco voador (que eu apelidei carinhosamente de “Imundinho”) sentara na cadeira e já havia travado o computador abrindo 8 janelas de um jogo qualquer que minha memória insiste em não me dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cerrei os dentes, rasguei minha camiseta ao meio e saltei tão rápido na direção daquele pescoço sujo que ouviu-se um estouro e as janelas de todo o recinto se arrebentaram. Urrei como um animal enquanto erguia meu troféu acima da cabeça para que todos vissem! E então eu acordei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava parado no mesmo lugar, em pé, olhando o menino. Seu rosto não tinha emoções, ou estava muito sujo para deixar passar qualquer movimento facial. Percebi que ele tremia enquanto eu andava em sua direção... talvez ele tivesse notado o sangue fervendo na minha cabeça ou a força com a qual eu cerrava os punhos. Malditas bons costumes. Se fosse no tempo das cabernas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reiniciei o computador e disse: “Abra somente um jogo de cada vez. Um... jogo... por... vez...”. Essas últimas palavras passavam raspando pelos meus lábios. Se existe um limite para a paciência humana, hoje ele havia sido destruído e fixado num nível 3 vezes maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O restante do dia transcorrera sem maiores incidentes. Este ficaria no topo da lista de eventos infelizes por um bom tempo, mas não muito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizes eram os nossos ancestrais que destruíam as fontes de suas irritações...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6496319931148308156-2508212063277797101?l=lanhousedomedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/feeds/2508212063277797101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6496319931148308156&amp;postID=2508212063277797101&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/2508212063277797101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/2508212063277797101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/2008/08/o-bom-princpio-do-apocalipse.html' title='O Bom Princípio do Apocalipse'/><author><name>Juunin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://www.benzaiten.com.br/imagem/blog/osnijr_foto1.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6496319931148308156.post-8195654894918128233</id><published>2008-07-16T14:27:00.000-07:00</published><updated>2008-07-16T14:29:48.912-07:00</updated><title type='text'>Silêncio Mortal</title><content type='html'>O homem atrás do balcão aparentava estar morto. Apesar de sentado com a postura correta e os olhos abertos, sua respiração estava muito devagar e ele já não se movia há alguns minutos. Fitava a porta de saída como esperando que a esperança entrasse e lhe desse um tapa na cara, ou como se a própria morte tivesse acabado de sair...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma gota de suor lhe escorreu pela testa. O telefone tocava incessantemente, mas ele nem se movia. Finalmente, o homem olhou para cima e balbuciou algumas palavras inaudíveis, como numa prece. Respirava devagar, profundamente. Num movimento preciso e leve, ele se colocou em pé e disse numa voz solene, que faria a mais solene das vozes parecer o grito de um gato sendo sufocado numa panela de pressão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“P&amp;amp;*a que pariu!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começara meia hora atrás, quando uma mulher com seus 40 anos de idade entrou pela porta da frente da mesma forma que um ninja entra numa sala escura com assoalho de algodão. Só foi possível perceber sua presença quando seu vestido azul florido desfilava entre os dois monitores que ficavam em cima no balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não olhava diretamente nos olhos da pobre alma que ia lhe atender. Sua boca se mexia, mas não saíam palavras, e nem era possível ler seus lábios pois suas mãos estavam em frente a eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;”Moss... sss ... ... sssdar? Eu qss ver sssail...” - sibilou ela.&lt;br /&gt;”Como? Desculpa, não consigo entender o que a senhora está dizendo...”&lt;br /&gt;”Eu qss ver sssail!”&lt;br /&gt;”E-mail?”&lt;br /&gt;”...sssss...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de vários minutos de “diálogo”, interpretações e suposições da parte do atendente, ele foi capaz de desenvolver a vaga idéia de que a senhora queria ver seu e-mail, mas não lembrava da senha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento de criar um cadastro para ela nem passou pela cabeça do atendente. A simples tarefa de entender o nome da senhora seria um pesadelo digno dos contos de Lovecraft. Apenas ligou um computador e colocou um cadastro especial usado para situações especiais... e essa era uma situação muito especial...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de ela não lembrar a senha do próprio e-mail levaria qualquer pessoa a tentar recuperá-la. Porém, o destino não estava para brincadeiras hoje e colocara barreiras do tamanho de uma represa na frente do corajoso atendente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;”Vamos tentar responder a pergunta secreta e recuperar sua senha: 'Qual o nome da sua cidade natal?', muito bem, qual o nome da cidade onde a senhora nasceu?”&lt;br /&gt;”Ai moss... eu sss .... sss.”&lt;br /&gt;”A senhora vai ter que tirar a mão da frente da boca e falar um pouco mais alto!¨ Sentia-se um certo nervosismo na voz do rapaz.&lt;br /&gt;”Moss... eu não lembro...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Deus... a mulher não lembrava da própria cidade natal? O ar se tornava mais e mais pesado e um olhar de cansaço instalou-se no rosto do atendente imediatamente após essa resposta. Seu rosto lembrava o de um senhor idoso gripado, que trabalhou o dia todo na roça sob sol forte e sem almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;”Tá... não tem jeito então. Vamos ter que criar outro e-mail pra senhora.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse instante, uma lembrança distante veio em sua mente. Muitos anos atrás, sua mãe lhe chamara a atenção por ele ter dito algo que não devia. Ela se ajoelhou, olhou em seus olhos  e lhe disse: “Filho... pense duas vezes antes de dizer alguma coisa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente, aquela importante lição de vida fez todo o sentido do mundo, mas o aprendizado veio tarde demais... ele se arrependeria amargamente pelo resto de sua vida por ter sugerido aquilo à senhora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram momentos terríveis. O som abafado que saía da boca da mulher se perdia no meio do caminho até o ouvido do corajoso atendente e a cada minuto a situação tornava-se mais e mais insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Einstein tinha razão. O tempo não é uma constante e varia de acordo com o observador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muita luta e de batalhas homéricas, o novo cadastro de e-mail da senhora estava pronto e ela estava se levantando para ir embora. Cabelos brancos haviam surgido na cabeça do nobre e cansado atendente, mas a tarefa estava cumprida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora levantou-se, agradeceu de forma muito sibilar e dirigiu-se à saída. Nem passou por sua cabeça cobrar pelo tempo utilizado no computador... ele só queria paz e tranqüilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as últimas forças que lhe restavam, o nobre e desfalecido atendente arrastou-se até a cadeira detrás do balcão e ficou os próximos 20 minutos reunindo forças para expressar seus sentimentos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Put...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6496319931148308156-8195654894918128233?l=lanhousedomedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/feeds/8195654894918128233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6496319931148308156&amp;postID=8195654894918128233&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/8195654894918128233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/8195654894918128233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/2008/07/silncio-mortal.html' title='Silêncio Mortal'/><author><name>Juunin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://www.benzaiten.com.br/imagem/blog/osnijr_foto1.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6496319931148308156.post-5419029885074900431</id><published>2008-06-09T11:02:00.000-07:00</published><updated>2008-07-16T11:19:48.847-07:00</updated><title type='text'>O Preço da Maldade</title><content type='html'>Depois de milhares e milhares de anos de evolução, a raça humana desenvolveu diversas características que permitem sua adaptação ao ambiente. Um exemplo disso é a capacidade de fala, por exemplo, ou a habilidade de compreender o que o próximo está sentindo apenas de olhar em seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o homem não parou de evoluir. O processo evolutivo ainda continua, e algumas habilidades que ainda não foram estudadas cientificamente começam a surgir e se tornar cada vez mais comuns, como a habilidade de prever quando algo ruim vai acontecer num curto espaço de tempo. Talvez por ainda não termos desenvolvido essa habilidade completamente, na maioria das vezes não sabemos interpretar os sinais e acabamos deixando de lado, mas essa habilidade está lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos chamar de um sexto-sentido para o perigo. Você não sabe porquê, só sabe que não deveria ir por aquele caminho ou entrar naquele lugar. Em um fatídico dia eu tive essa sensação, e pude comprovar como a evolução humana está dando o próximo passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma tarde de terça-feira. Faziam algumas semanas que não chovia e o ar estava seco, difícil até de respirar. O asfalto quente tostava as bordas dos chinelos havaiana. As árvores pareciam curvar-se sob sua própria sombra e os mais velhos tinham alucinações devido ao calor intenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época eu já estava trabalhando há um bom tempo naquele mesmo lugar e conhecia boa parte da clientela. Conseguia até mesmo traçar um perfil dos tipos de clientes que frequentavam o lugar. Porém, naquele dia, algo estava errado. Não sei dizer se era o vento, a cor estranha que os vidros dos carros refletiam ou o cheiro de strogonoff de frango que eu sentia em todo lugar, mas alguma coisa estava errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O local estava com um bom movimento, o que significa que entravam e saíam muitas pessoas do recinto e em boa parte delas eu nem prestava atenção, mas uma criança que entrou me chamou a atenção.  Não entendi o meu súbito interesse nela, mas alguma coisa naquela figura não se encaixava no todo. Os olhos dele eram fixos um no outro, com um grau de “vesguice” que tornava obrigatório o uso de óculos escuros, obrigatoriedade essa que não havia sido repeitada. Estava vestido com roupas novas, o que não quer dizer que estivesse bem-vestido. A bermuda verde contrastava com a camiseta roxa e o tênis amarelo que delatavam o sadismo de sua mãe ao vestí-lo. Mas não era nada disso que me chamava a atenção. Era apenas a sensação de que alguma coisa ruim estava para acontecer e que aquela criança estaria envolvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-”Moço!” Só com essa palavra meu coração disparou. Por algum motivo, detesto essa alcunha.&lt;br /&gt;-”Moço! Quanto custa meia hora?”&lt;br /&gt;-”Um real.” Respondi cautelosmente.&lt;br /&gt;-”E uma hora?” Seus olhos tentavam desesperadamente encontar o foco.&lt;br /&gt;-”Dois reais.” Minhas mãos suavam...&lt;br /&gt;-”E duas horas?” Seu corpo lutava contra si próprio tentando fixar o olhar.&lt;br /&gt;-”Quatro reais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento meus dedos já estavam anestesiados de tanta tensão. Alguma coisa muito errada estava prestes a acontecer e eu iria presenciá-la de camarote. O menino piscava os olhos cada vez mais rapidamente e a cabeça dele virava de um lado pro outro em ângulos agudos, talvez tentando focalizar pelo menos um dos olhos no interlocutor. Os músculos dos meus ombros estavam extremamente tensos e meus ouvidos zuniam... e então ele disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-”Então me vê uma fanta.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de milhares de anos de evolução, de grandes pensadores, de grandes civilizações e diversas descobertas que mudaram o mundo, é isso que acontece? Darwin estava errado... A raça humana não só evoluiu como também subdividiu-se dando origem à meninos que não pertencem a lugar algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorei alguns segundos para interpretar o pedido. Na época os refrigerantes custavam R$1,50. Não haviam tabelas de preço no campo de visão dele (não estou dizendo que esse campo de visão exista ou algum dia tenha existido prá ele). Suas perguntas foram todas relacionadas ao valor da hora, porque então pedir o refrigerante? Seria ele capaz de deduzir o valor do refrigerante levando em conta o preço da hora, a inflação, as taxas de juros e o  custo de compra e tranporte de um produto? Acredito que não. Aquilo havia apenas sido um acidente genético do qual apenas os pais devem ser culpados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa linha de pensamento passar como um tufão pela minha mente, peguei uma fanta e coloquei no balcão. O menino pagou e foi embora. Enquanto ele saía, pude ver uma pequena nuvem se formando no céu. O carro no qual o menino entrara estava ocupado por uma figura escura que não pude identificar... melhor assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde choveu naquele. O clima seco e o asfalto quente agora eram apenas uma lembrança. Mas aquele momento de terror vai estar sempre nítido na minha memória, talhado na pedra, queimando  sob o sol...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6496319931148308156-5419029885074900431?l=lanhousedomedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/feeds/5419029885074900431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6496319931148308156&amp;postID=5419029885074900431&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/5419029885074900431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/5419029885074900431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/2008/06/o-preo-da-maldade.html' title='O Preço da Maldade'/><author><name>Juunin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://www.benzaiten.com.br/imagem/blog/osnijr_foto1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6496319931148308156.post-4680920649067801462</id><published>2008-05-22T08:07:00.000-07:00</published><updated>2008-05-22T16:45:52.879-07:00</updated><title type='text'>O mouse do horror</title><content type='html'>O mal pode se apresentar de diversas formas. Pode aparecer na forma de um bandido para alguns ou na forma de um assassino psicopata. Mas para mim apareceu de uma forma muito mais aterrorizante... na forma de uma senhora de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aconteceu numa manhã de quinta-feira. O clima não estava exatamente ensolarado, nem exatamente nublado, nem exatamente chuvoso, o clima estava somente aturável naquele dia. Não que eu me importasse com o clima, de forma alguma, mas naquele fatídico dia o clima foi em parte responsável por minha desaventurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu não dava sinais de chuva, mas mesmo assim entrou no recinto um enorme vestido florido (com uma cor que não me lembra nada além de uma cortina de sala de estar) com uma senhorinha em seus setenta e tantos anos de idade dentro dele. O seu jeito de andar dava a impressão de que ela era arrastada pela sacola de compras que carregava. Ela entrou e me olhou com um olhar desviado, como se focasse a visão na parede atrás de mim enquanto falava comigo. Seu cabelo, de alguma forma, estava bonito e sedoso, como se não pertencesse ali. Apesar da figura perturbadora, sua voz era calma e tenra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nossa... parece que vai chover, né mocinho?" -Dizia ela enquanto olhava a rua.&lt;br /&gt;"É..."&lt;br /&gt;"O que é aqui? É videogueime?" -AimeuDeusdocéu...&lt;br /&gt;"Bom, tem videogame sim. Mas a gente trabalha mais com computador e intern..." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto essa última palavra saia da minha boca, me dei conta do que acabara de fazer. O olhar dela se voltou para mim (ou para a parede atrás de mim) como se eu tivesse dito a ela que havia encontrado o elixir da juventude. Ela caminhou vagarosamente em minha direção, apoiou as mãos no balcão e disse: "Tem internet aqui? Posso usar?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha surpresa ela conseguiu pronunciar "internet" sem engolir a própria língua. Pensei se ela tinha alguma idéia do que estava falando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim. Só tenho que fazer um cadastro prá você."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flashes da última vez em que fiz um cadastro desse tipo fuzilaram minha mente. Respeirei fundo, amarrei uma faixa preta nos olhos e saltei no abismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Me empresta o seu RG então que eu preencho seu cadastro aqui."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha surpresa o cadastro correu sem problemas. Ela ainda lembrava o próprio endereço e o telefone. Porém, meu sossego já estava com a mira laser apontada para a testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mocinho!"&lt;br /&gt;"Sim..."&lt;br /&gt;"Como faço prá ver o site da Ana Maria Braga?"&lt;br /&gt;"É só abrir o Internet Explorer e digitar o endereço."&lt;br /&gt;"Hã?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ela olhava pro computador e para o teclado era possível ouvir as engrenagens gastas e enferrujadas rodando em velocidade máxima. Levantei-me e, com toda presteza que há de existir num homem, caminhei até ela e abri o Internet Explorer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Obrigada mocinho. Você pode digitar o endereço também?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem. Nada que uma rápida visita ao Google não resolva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pronto. Agora é só clicar onde a senhora quer ir e navegar no site."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vagarosamente ela levou mão ao mouse e um leve soriso de satisfação surgiu em meu rosto. Enquanto eu me virava e caminhava tranquilamente de volta ao balcão, ouvi um som seco, como se alguém estivesse batendo com a cabeça numa janela de vidro. O som se repetiu. Novamente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei na direção dela para identificar a origem daquele som horrível apenas para ficar em choque. A cena presenciada por mim naquele instante tomou cerca de 30 segundos para ser assimilada. Enquanto tentava colocar algum sentido naquilo, senti que o planeta parava de girar vagarosamente. Ao longe era possível ouvir urros de um exército desconhecido marchando em minha direção com sede de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhorinha de idade transformara-se num ser hediondo enquanto erguia o mouse na altura dos olhos e batia com este no monitor. Depois de algumas tentativas frustradas  ela me dirigiu a palavra. Sua voz, que antes era doce e comedida, tornara-se um som rouco e abafado como se um cachorro fosse fechado dentro de uma caixa de papelão e jogado em um porta-malas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mocinho, essa caixinha não tá funcionando!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos dois terços do meu cérebro estava derretendo e se convertendo em um poderoso analgésico que fora imediatamente arremessado em minhas veias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de alguns momentos de respiração profunda e de contar até o primeiro número com 6 dígitos, consegui dizer à senhorinha que a "caixinha" estava com problema, mas eu não teria outra prá trocar prá ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela levantou-se, agarrou sua sacola de compras e foi arrastada por esta para fora do recinto. Não me preocupei em cobrar o tempo que ela havia usado no computador, talvez por medo dela, ou de mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O horror se apresentara de tal forma que era difícil assimilar sua total complexidade. Aquela fatídica manhã havia se tornado agora parte de mim, um momento que levaria comigo para sempre. O horror... o horror.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6496319931148308156-4680920649067801462?l=lanhousedomedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/feeds/4680920649067801462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6496319931148308156&amp;postID=4680920649067801462&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/4680920649067801462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/4680920649067801462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/2008/05/o-mouse-do-horror.html' title='O mouse do horror'/><author><name>Juunin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://www.benzaiten.com.br/imagem/blog/osnijr_foto1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6496319931148308156.post-7135733785018679936</id><published>2008-05-19T16:49:00.000-07:00</published><updated>2008-05-23T05:55:57.242-07:00</updated><title type='text'>O verdadeiro medo</title><content type='html'>Algumas pessoas dizem que o medo está no coração do homem. Outros dizem que o medo está nas profundezas da mente. Eu digo que o verdadeiro medo está na ignorância, no desconhecido, no que não pode ser compreendido... o medo está um palmo além do nosso alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre eu pensei assim. Houve um tempo em que eu acreditava nas pessoas, acreditava na capacidade de pensar e na bondade implícita em cada ato. Tolo... Se ao menos eu conhecesse a verdade, talvez não estaria onde estou agora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou com uma idéia inocente de construir uma lan-house. Um negócio que, se bem administrado, poderia trazer bons lucros e era exatamente isso que minha família necessitava nesse momento. Meu pai aposentara há poucos meses e nós procurávamos algum ramo para investir o dinheiro recebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lan-house era o mais apropriado no momento, pois eu já tinha conhecimento em computadores (e em jogos também) e poderia tranquilamente manter esse tipo de comércio funcionando em pleno vapor. Ledo engano. A palavra "tranquilamente" caberia em vários outros lugares, mas não aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verdedeiro medo se apresentou diante de mim já no primeiro ano de trabalho. Permita-me esclarecer que estou falando de um estabelecimento já frequentado por bandidos e traficantes (posteriormente banidos do recinto) e que já foi assaltado à mão armada duas vezes, então não venha me dizer que não sei do que estou falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me com uma nitidez impressionante, como se estivesse assistindo à tudo novamente nesse momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um garoto, em seus 12 ou 13 anos, aparentando vir de uma boa família e bem vestido (fique claro que para os padrões de uma lan-house, bem vestido quer dizer "usando calça e camiseta sem remendos"). Porém, algo me dizia para correr! Correr para longe e não olhar prá trás nem se o próprio Steve Jobs me chamasse! Não era sua aparência que me levava a ter esses pensamentos, era o seu olhar... como se ele fosse um exímio jogador de xadrez analisando cada possibilidade de acontecimento, só que não tivesse consciência de nada disso. Seus olhos olhavam cada um em uma direção e seu cabelo completamente desalinhado entregava que aquele garoto tinha um problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Qual seu nome?"- Eu disse. Até hoje me arrependo dessa pergunta impensada.&lt;br /&gt;"Hã? Hmm... Pedro."&lt;br /&gt;"Tudo bem então, Pedro. Você vai jogar?"&lt;br /&gt;"Hã? Agora?"- Não... na próxima era glacial...&lt;br /&gt;"Sim. Vamos fazer o seu cadastro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sentia meu coração acelerando mas não sabia explicar o real motivo disso. Hoje percebo que meu corpo estava se preparando para reagir, carregando minha corrente sanguínea com adrenalida e deixando meus (poucos) músculos ativados para uma eventual emergência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Seu nome?"&lt;br /&gt;"Hã... Pedro."&lt;br /&gt;"Seu nome completo..."&lt;br /&gt;"Hmm... Pedro... Souza Silva."&lt;br /&gt;"Certo, Pedro. Seu endereço?"- E meu cérebro tilintava de agonia... meu olho esquerdo estava tendo espasmos cada vez menos intermitentes e eu ouvia um zunido alto como se alguém encaixasse um apito na saída de ar de uma turbina.&lt;br /&gt;"Rua antonio lamino, 12."&lt;br /&gt;"Você tem telefone?"&lt;br /&gt;"Tenho!"&lt;br /&gt;"Qual o seu telefone prá eu poder preencher seu cadastro?"&lt;br /&gt;"É da vivo!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento meu universo explodiu. Luzes inexplicáveis surgiram no meu campo de visão e todos os espíritos de todos os meus ancestrais ressurgiram do além para segurar toda aquela energia negativa que acabara de ser disparada dos meus olhos na direção do garoto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chão tremeu, o céu ficou escuro e fumaça de enxofre era soprada de cada rachadura existente nas redondezas! O cavalo amarelo da morte estava me esperando há alguns metros dali como um cãozinho que acabara de apanhar com o jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente o olhar ameaçador do garoto se transformou e me fitava como se pedindo clemência. As atrocidades que passaram pela minha cabeça fariam com que a inquisição parecesse uma sessão de massagem tailandesa. O clima tornara-se tão denso que era possível cortar o ar com uma daquelas facas de passar manteiga na torrada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos o terror se dispersou. O cheiro de morte e calamidade deu lugar ao bafo quente soprado pelos computadores e o odor de salgadinho emla-chips. O menino ainda me fitava, esperando uma reação minha. Era possível sentir sua alma clamando por misericórdia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, ele finalmente conseguiu me dizer o número do telefone dele e eu fui capaz de finalizar seu cadastro sem maiores danos à minha sanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verdadeiro medo está no desconhecido... o verdadeiro medo está no que não podemos compreender....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: O nome do indivíduo foi geneticamente alterado neste relato para preservar sua ignor... identidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6496319931148308156-7135733785018679936?l=lanhousedomedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/feeds/7135733785018679936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6496319931148308156&amp;postID=7135733785018679936&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/7135733785018679936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6496319931148308156/posts/default/7135733785018679936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lanhousedomedo.blogspot.com/2008/05/o-verdadeiro-medo.html' title='O verdadeiro medo'/><author><name>Juunin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://www.benzaiten.com.br/imagem/blog/osnijr_foto1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
